O que é Trauma?

Postado em Constelação do Trauma/Psicotraumas

Esta é a pergunta mais frequente quando iniciamos a Constelação do Trauma/Psicotraumas.

O primeiro passo é entender exatamente o que é o trauma. Os traumas não são fenômenos poucos frequentes, muito pelo contrário, em minha opinião os traumas causam as aparições dos transtornos psíquicos. Se olharmos para a definição de trauma, a palavra se origina do grego e significa ferida e lesão. Mas o que significa, concretamente, uma ferida e lesão psíquica?

Segundo Peter A. Levine, o trauma é um evento que sobrecarrega nossa capacidade de sobrevivência, e deixa uma marca impressa em nosso sistema nervoso e que os seus efeitos no corpo e na mente podem ser avassaladores. Já o choque traumático ocorre experienciamos acontecimentos potencialmente ameaçadores à vida que superam nossa capacidade para responder de modo eficaz. Em contraste, ele ressalta, que pessoas traumatizadas por abuso contínuo na infância, em especial se o abuso ocorreu no contexto familiar, podem sofrer de trauma de desenvolvimento, que se refere primariamente a questões com base psicológica, que normalmente são resultado de cuidados e orientações inadequados durante os períodos críticos de desenvolvimento na infância.

Fischer, fala que os traumas são a essência das enfermidades e transtornos psíquicos. E Franz Ruppert constrói sua teoria e prática sobre o axioma de que a maioria das enfermidades e transtornos psíquicos são sintomas consequentes de traumas, sendo válido também para muitas enfermidades físicas e para a maioria dos conflitos relacionais que não se consegue solucionar sem a ajuda terapêutica. Para ele o trauma começa com uma grande ameaça a vida causando um estado de luta e fuga que leva a um total desamparo e impotência psíquica e física. Mais a vivência interior dessa situação estressante e para os efeitos de curto, médio e longo prazo dessas avalanches interiores .

No Brasil usa-se a palavra vagamente, temos poucos estudiosos nesta área e pouca bibliografia disponível em português, mas se realmente queremos trabalhar com nosso trauma precisamos saber exatamente o que é. Segundo Vivian Broughton essas quatro palavras-chave definem o trauma:

  1. Opressão: É uma situação vivenciada como completamente opressiva e perdemos nossa capacidade de auto-regulação de nosso corpo e da nossa psique.
  2. Desamparo: É uma experiência de total desamparo que ameaça a vida.
  3. Ameaça à vida: Tememo que possamos não sobreviver à uma situação. Sentimos que nossa existência está ameaçada
  4. Divisão: Neste estado a psique é cindida, dividida por uma experiência devastadora como uma última tentativa de sobrevivência.

Para ela qualquer evento que preencha todos esses critérios na experiência da vítima- quem vivencia a situação estressante- é um trauma.

É importante entender a diferença entre estresse- uma situação de alto estresse- e trauma. Uma situação se torna um trauma quando nossos recursos para gerenciar o estresse falham. O que quero dizer com isso? Administramos o estresse por meio de uma hiper mobilização dos recurso do corpo, chamados de luta e fuga. Portanto, a essência de uma situação traumática consiste em que a pessoa fica impotente e desamparada em face dos riscos que ela envolve. Por isso a excitação emocional que a reação do estresse desencadeia no nível corporal também não conhece limites. O nível inteiro de exceção não pode baixar porque a ameaça externa tende a aumentar, que vez de diminuir. Então o medo cresce até transformar-se numa angústia mortal.

Uma conclusão básica da teoria do trauma é que pessoas que passaram pela experiência de um trauma dificilmente conseguem manter relações saudáveis e desimpedidas com outras pessoas. Por efeito da traumatização elas perderam a conexão com elas mesmas e consequentemente a capacidade de entender corretamente o seu mundo exterior.

Tipos de Psicotraumas identificados por Franz Ruppert:

  • Trauma Existencial
  • Trauma de Identidade
  • Trauma de Perda
  • Trauma de Amor
  • Trauma Sexual
  • Trauma do Sistema de Apego

Segundo Franz Ruppert há um modelo para divisões psíquicas que nos auxiliam a entender melhor por que razão existe no nível psíquico essa dificuldade de distinguir claramente entre o que esta presente e o que passou. Por que razão muitas vezes vivências passadas atuam em nós com muito mais força do que aquilo que é vivido imediatamente no aqui e agora.

Com o estudo das teorias da vinculação e do trauma observa-se que as dramatizações são dominadas principalmente por meio de divisões  da estrutura psíquica. Com isso fica perdida a unidade interior da pessoa.

De acordo com esse modelo, uma área da psique, que é denominada, parte traumatizada, permanece presa à energia estressante, aos medos e às dores da situação traumatizada, enquanto que a parte de sobrevivência procura afastar-se da  consciência a terrível experiência, para sobreviver ao traumatismo e dominar a vida diária com o restante potencial psíquico. Existe além disso a parte saudável, uma estrutura psíquica que se desenvolveu de modo sadio até a experiência traumática, e que pode voltar a ser saudável a medida que for suficientemente grande o afastamento interior em relação ao trauma. A parte saudável pode reviver e expressar moderadamente as sensações vividas na situação traumática, de modo que essas sensações não estejam ausentes de todo nem demasiado presentes.

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